{"id":335,"date":"2025-05-05T14:24:58","date_gmt":"2025-05-05T17:24:58","guid":{"rendered":"https:\/\/sobasestrelas.com.br\/?p=335"},"modified":"2025-05-05T14:25:01","modified_gmt":"2025-05-05T17:25:01","slug":"voce-tem-medo-de-que","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sobasestrelas.com.br\/?p=335","title":{"rendered":"Voc\u00ea tem medo de que?"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Ao sair sozinha pelas estradas com a Safira, (minha pequena van), a pergunta que mais escuto \u00e9: Voc\u00ea n\u00e3o tem medo?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Uma das coisas que aprendi \u00e9 tentar diferenciar o medo irreal do medo real. O que \u00e9 isso?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Foi num livro sobre treinamento de escalada que descobri a diferen\u00e7a entre medo real e irreal. Medo real \u00e9 quando nos encontramos numa situa\u00e7\u00e3o de perigo verdadeiro. J\u00e1 o medo irreal \u00e9 aquele que temos, por exemplo, de cair durante uma escalada mesmo sabendo que nada acontecer\u00e1 pois estamos atados a uma corda de seguran\u00e7a.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Escalada \u00e9 a paix\u00e3o que move minha vida, atrav\u00e9s dela aprendi a alterar meu comportamento n\u00e3o s\u00f3 no esporte, mas principalmente nos outros setores como, relacionamentos, trabalho, espiritualidade&#8230;&nbsp; Recentemente me vi fazendo uso desse aprendizado.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>De passagem pelo sul da Argentina, descobri que existia por perto uma cidade fantasma. Fiquei fascinada pela ideia de fotograf\u00e1-la e ali fui determinada a fazer belas fotos, especialmente noturnas.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cheguei \u00e0s 4 da tarde. A mo\u00e7a da entrada disse que uns arruaceiros estavam invadindo a cidade a noite e visitas noturnas necessitavam autoriza\u00e7\u00e3o, autoriza\u00e7\u00e3o essa que eu n\u00e3o tinha. Vendo minha cara de frustra\u00e7\u00e3o ela disse: Voc\u00ea pode ficar at\u00e9 umas 8 ou 9 horas, depois disso deve haver patrulhamento. Caso algu\u00e9m pergunte mostre o bilhete de entrada.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coloquei um vestido branco que achei que ficaria interessante nas fotos e comecei a perambular pela cidade.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Haviam poucas pessoas, e quando o sol se colocou no horizonte, as poucas que restavam se foram, assim como a mo\u00e7a da entrada.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fiquei sozinha. Somente eu e ruinas por todo lado.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>A noite veio com uma linda lua, quase cheia, que tingia de prata as ruinas. Tudo que eu precisava para minhas fotos.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Junto com a lua vieram os ru\u00eddos de animais noturnos: corujas, uivos, a sinfonia completa dos filmes de terror. Olhei para as ruinas pensando: Essa deve ser a hora que os zumbis come\u00e7am a sair dessas casas decompostas.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Medo? N\u00e3o, eu sabia que os zumbis n\u00e3o viriam posar para minhas fotos, (o que seria perfeito)! Desconforto, sim. \u00c9 muito estanho estar sozinha a noite numa cidade fantasma.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Acredito que as pessoas assistam filme de terror, pelo mesmo motivo que eu escalo, que alguns correm de motos&#8230; para sair da zona de conforto. Porque sair da zona de conforto d\u00e1 prazer. O medo, assim como a dor, s\u00e3o capazes de gerar prazer, mas n\u00e3o s\u00e3o essas as sensa\u00e7\u00f5es que eu busco para me trazer prazer. Pelo contr\u00e1rio, tudo que busco na escalada \u00e9 dominar o medo.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Bom, mesmo n\u00e3o sendo f\u00e3 de filmes de terror, l\u00e1 estava eu dentro de um cen\u00e1rio perfeito para um filme.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Saquei o cronometro e fiz uma foto com um minuto de exposi\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sons de corujas&#8230; uivos. Um longo minuto cercada por ruinas e muitos, muitos animais barulhentos.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Um minuto foi pouco, a foto ficou escura.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Analisei a imagem e imaginei que com tr\u00eas minutos eu poderia come\u00e7ar a ter algum resultado. Respirei fundo e apertei o bot\u00e3o.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Novos barulhos. Motos, algumas motos muito barulhentas e gritos euf\u00f3ricos.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Um minuto depois estacionaram na entrada da cidade fantasma. Tr\u00eas quadras de ruinas e dois minutos que faltavam para minha foto me separavam dos \u201carruaceiros\u201d. Era a \u00fanica sa\u00edda.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Um minuto eterno mais para minha foto. Ningu\u00e9m entrou na cidade.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tr\u00eas minutos! Pronto! N\u00e3o vi o resultado da foto, joguei a mochila nas costas, peguei a c\u00e2mera pelo trip\u00e9 e me dirigi para a entrada. Eu n\u00e3o tinha como me esconder deles, meu carro estava l\u00e1 fora, elas sabiam que havia gente na cidade.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Passei pelo grupo. Eles disseram \u201cHola\u201d, eu respondi \u201chola\u201d e fui para o carro numa marcha r\u00e1pida. N\u00e3o sei se estavam dispostos a me fazer algum mal, mas eram muitos, e eu, uma mulher sozinha.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quando engatei a marcha eles pegaram as motos e passaram uma atr\u00e1s da outra pelo port\u00e3o de pedestre. Esperavam minha sa\u00edda para entrar e come\u00e7ar sua \u201cfesta\u201d.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fiquei feliz por ter dominado o medo irreal da \u201ccidade fantasma\u201d e agido na hora de uma possibilidade de risco verdadeira. Eu estava aprendendo a controlar minhas emo\u00e7\u00f5es.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quanto aos motoqueiros, o que buscavam na cidade? Medo, adrenalina, aventura?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>N\u00e3o sei, mas possivelmente ver uma mulher de vestido branco sair do meio das ruinas pode ter sido o \u00eaxtase da noite!<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao sair sozinha pelas estradas com a Safira, (minha pequena van), a pergunta que mais escuto \u00e9: Voc\u00ea<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[],"class_list":["post-335","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sobasestrelas.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/335","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sobasestrelas.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sobasestrelas.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sobasestrelas.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sobasestrelas.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=335"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sobasestrelas.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/335\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":336,"href":"https:\/\/sobasestrelas.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/335\/revisions\/336"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sobasestrelas.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=335"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sobasestrelas.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=335"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sobasestrelas.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=335"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}